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a Roland Barthes

O escuro não é o mal
A luz não é a salvação

Aponta-me símbolos
vazios
criados pelo homem-animal amedrontado.

Mito.

Meros sentidos
consentidos.

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(silence)

shhhh…
are you asleep?
– or you awaken?
lost
n
vacant
‘round your mind

– thought so
blurred though

(silence)

sunrise is delaying
dawn is everlasting

shut my eyes
and keep
surrealiving.

Minifesto do poetinha descalço

I.

Nunca tive pai nem mãe.
Quem me criou foi meu único deus,
que sou eu
mais vocês
no exato instante
agora.

Nunca nasci;
estive sempre presente,
pois simplesmente
existo.

Sou personagem
vivo
daqui para o mundo.

Perambulo
no infinito lugar
incontestabilissimamente.

II.

Palavras…
Aqui, sou eu escrito.
Mas não escrevo,
escrevem-me.

Tudo aquilo que me discorre é mundo, sonho e delírio.

Se pelo menos a poesia não me matar, também não me ajudará a sobreviver.
Por isso, fico parado:
apenas reúno letras que caminham na minha direção.

Vivente mundano,
sou resultado de um meio
quase inteiro
pela outra metade.

Faço retrato falado
de ver o tempo passar.

III.

ao Sr. Domínio Público

Já que nunca nasci
de morte tampouco irei padecer.

Vivo
ao eterno esquecimento
em luto
e assino agora
o tratado em branco
do almejado
anonimato.

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Isso tudo
ou quase nada
algo que não se deveria saber

palavra, palavra
ou quase água

o contudo é quase enquanto
o agora é quase nunca
que seja, que seja
o agora pode durar até quando
e jamais.